Digitalização reduz custos, fortalece a governança e produz impactos ambientais mensuráveis ao eliminar processos manuais e documentos físicos

Um desafio recorrente no cotidiano das empresas que está em crescente é evolução é sobre os processos de transformação digital que,  hoje,  ocupa também um espaço nas agendas de sustentabilidade das empresas. Ao substituir processos baseados em papel por plataformas digitais, organizações reduzem custos operacionais, aumentam a rastreabilidade das informações, aceleram auditorias e, ao mesmo tempo, diminuem o consumo de recursos naturais e as emissões associadas às operações.

O movimento acompanha uma mudança no perfil das organizações brasileiras. O Índice de Transformação Digital Brasil 2025, desenvolvido pela PwC Brasil em parceria com a Fundação Dom Cabral, mostra que as empresas avançaram em infraestrutura tecnológica, uso de dados e eficiência operacional. O estudo também destaca que integrar transformação digital, governança e sustentabilidade tornou-se um dos principais desafios para consolidar vantagens competitivas de longo prazo.

Na prática, a digitalização elimina etapas burocráticas que historicamente consumiam tempo, recursos e mão de obra. Assinaturas eletrônicas, gestão digital de contratos, fluxos automatizados de aprovação e armazenamento em nuvem reduzem erros, aumentam a transparência e permitem que as equipes concentrem esforços em atividades de maior valor agregado

Para Rafael Gontijo, CEO da Oppem, uma empresa de tecnologia especializada na gestão de contratos e eficiência operacional para grandes indústrias, o principal benefício da transformação digital está na capacidade de remover obstáculos operacionais que comprometem a produtividade. “Quando a tecnologia é desenhada para resolver dores reais, o papel deixa de ser o centro do processo e a burocracia que trava as frentes de trabalho simplesmente deixa de existir. O impacto ambiental é importante, mas o primeiro resultado percebido pelas empresas é uma operação mais rápida, organizada e eficiente”, discursa o especialista.

Essa percepção acompanha um cenário em que a sustentabilidade passa a ser consequência direta de processos mais inteligentes. Ao eliminar documentos físicos, reduzir deslocamentos e automatizar controles, as empresas também diminuem seu impacto ambiental sem criar rotinas paralelas exclusivamente voltadas ao ESG.

A própria Oppem percebeu isso. Indicadores da Plataforma Opus, desenvolvida pela empresa identificaram uma ascenção dessa preocupação um tanto quanto ecológica. Desde sua implantação, a solução evitou o consumo de mais de 9,4 milhões de folhas de papel A4, volume equivalente à preservação de 453 árvore e à economia de 37,7 milhões de litros de água. A digitalização também evitou a emissão de 18,9 toneladas de dióxido de carbono (CO₂) e eliminou cerca de 94 mil quilômetros de deslocamentos antes necessários para coleta de assinaturas físicas.

Segundo Gontijo, esses resultados refletem uma mudança estrutural na forma de administrar processos. “O real ganho está em colocar todos os envolvidos na mesma página. Ao digitalizar os processos de rotina, trazemos conformidade e lisura para as auditorias, garantindo agilidade, previsibilidade e transparência na gestão. Além da redução de impactos ambientais, especialistas apontam que a digitalização fortalece um dos pilares mais relevantes da agenda ESG, a governança. Plataformas digitais permitem registrar todas as etapas de um processo, identificar responsáveis, manter históricos de alterações e facilitar auditorias internas e externas, reduzindo riscos de falhas, retrabalho e perda de informações”, completa o CEO.

O próprio Índice de Transformação Digital Brasil mostra que a evolução da maturidade digital depende justamente da integração entre tecnologia, cultura organizacional, governança e sustentabilidade, indicando que esses fatores passaram a caminhar de forma indissociável. 

“As equipes deixam de perder tempo rastreando documentos e passam a dedicar energia ao que realmente importa, que é a qualidade da entrega. A sustentabilidade, no fim das contas, é a consequência inteligente de uma operação que escolheu a transformação digital para crescer com controle, eficiência e escala. À medida que metas ambientais, exigências regulatórias e critérios de governança ganham peso nas decisões corporativas, a transformação digital tende a assumir um papel ainda mais estratégico. Mais do que substituir papel por arquivos eletrônicos, ela passa a representar uma forma de tornar operações mais produtivas, transparentes e sustentáveis ao mesmo tempo”, finaliza Gontijo.