Pedagoga e diretora escolar em Belo Horizonte orienta famílias sobre o ajuste de horários, organização de materiais por idade e o acolhimento emocional na retomada do ano letivo
Com a proximidade do fim das férias e o início do segundo semestre, muitas famílias enfrentam um desafio de readequar a rotina das crianças. Dormir e acordar mais tarde, horários flexíveis para as refeições e a maior convivência com os pais mudam a dinâmica familiar. Na retomada das aulas, o resultado desse período de liberdade costuma aparecer em sala de aula em forma de sonolência, falta de foco, agitação e, principalmente nos menores, na dificuldade de desapego da presença constante dos responsáveis.
Para orientar as famílias a enfrentarem essa transição sem desgaste, a pedagoga Giulia Schneider, diretora da SIS Swiss International School de Belo Horizonte, aponta caminhos práticos para alinhar os ponteiros do relógio e garantir o suporte emocional necessário dentro e fora da escola.
Ajuste gradual: comece pelo horário de dormir
A quebra da estrutura de horários nas férias mexe diretamente com a rotina dos estudantes. Segundo a especialista, o erro mais frequente é tentar reverter essa mudança de forma abrupta muito próximo ao retorno. “Se a criança passou as férias acordando às 9h30 e precisa despertar às 6h para a escola, os pais idealmente não devem forçar o novo horário de uma só vez. Primeiro ajuste o horário em que ela vai dormir, começa por isso e aí vai para o horário em que ela vai acordar”, adverte Giulia.
A pedagoga destaca que explicar o motivo da mudança ajuda na aceitação e sugere trazer um propósito para o novo horário. “Comunicar a transição com clareza e afeto faz toda a diferença. Os pais podem dizer algo como: ‘A partir de amanhã, vamos começar a acordar um pouco mais cedo para nos acostumarmos com o ritmo da escola. Que tal me ajudar a preparar o café da manhã?’ Trazer um sentido prático para esse novo horário ajuda a criança a lidar melhor com a mudança”, afirma Giulia.
Schneider lembra ainda que a decisão final sobre a rotina deve ser do adulto responsável. A rotina não pode ser uma decisão da criança no sentido de ela escolher integralmente o que fazer ou não. Cabe ao adulto o cuidado da criança e não a ela tomar as decisões sobre seu próprio bem-estar, particularmente quando falamos de crianças mais novinhas”, explica Schneider. E acrescenta. “Sempre oferecemos à criança a possibilidade de escolhas que são compatíveis com sua idade e capacidade de lidar com consequências dessa escolha”.
Autonomia na mochila: participação por faixa etária
Envolver os alunos na arrumação dos materiais e do uniforme ajuda a criar previsibilidade e reduz o estresse da volta, mas a cobrança deve respeitar a maturidade de cada idade. “É extremamente importante que a criança participe de forma ativa dessa organização. Na faixa dos três aos quatro anos, o processo deve ser feito em conjunto, momento em que o responsável explica o que guarda em cada compartimento e estimula o filho a participar guardando a agenda ou o kit de escovação, por exemplo. O hábito de pensar em voz alta, verbalizando para a criança o que está sendo feito e pensado, ajuda na estruturação da noção de ordem na mente dos menores”, detalha a diretora.
Na faixa dos cinco aos seis anos, de acordo com a pedagoga, a criança já responde bem a indagações específicas voltadas para o cronograma escolar do dia seguinte. “Nessa fase, o pai deve instigar o filho a pensar nas necessidades da rotina escolar. Vale perguntar quais materiais ou roupas são necessárias para as disciplinas do dia posterior, como a aula de educação física ou um livro da biblioteca. Isso inclui progressivamente o estudante nas responsabilidades do cotidiano”, pontua. E acrescenta: “A partir dos sete ou oito anos, a responsabilidade de verificar os compromissos e montar a mochila passa a ser do aluno. A criança já é a responsável pela organização desse material e o adulto está ali para apoiar esse processo. Quanto mais velha a criança for, o adulto passa a atuar na retaguarda, com supervisão e suporte para a conferência dos deveres de casa e do planejamento da semana.”
O papel da escola no acolhimento
O recomeço das aulas também exige um planejamento por parte das instituições. A diretora da SIS Swiss International School Belo Horizonte explica que as primeiras semanas demandam atividades centradas no acolhimento e no restabelecimento dos vínculos do grupo. “A rotina pedagógica deve alternar momentos lúdicos e de movimentação com tarefas que podem exigir maior concentração”.
Para Schneider, as dinâmicas que resgatam as vivências das férias funcionam melhor do que as redações tradicionais sobre as férias. “O papel da escola nesse retorno é mostrar como os alunos formam um grupo e valorizar o que cada um descobriu durante o recesso. O incentivo para que as crianças compartilhem um diário de férias, desenhos ou fotografias de momentos marcantes ajuda na criação de conexões naturais com o ambiente escolar”, aponta. Para os estudantes que demandam mais tempo de adaptação, a escola deve adotar estratégias individualizadas para o atendimento de cada necessidade emocional.
Estratégias contra a quebra de vínculo e a saudade
A separação após semanas de convivência intensa com a família pode gerar resistência na entrada da escola, sobretudo na Educação Infantil. Giulia Schneider orienta os pais a manterem uma postura tranquila e consistente. “O adulto deve liderar o caminho de forma segura. Em vez de perguntar se a criança quer ir à escola, o que transfere para ela uma escolha que não lhe cabe, os pais devem afirmar o compromisso letivo e validar o sentimento do filho com a explicação de que compreendem a saudade”, afirma.
Giulia Schneider destaca que uma postura tranquila e consistente por parte dos pais contribui para que a criança retome a rotina escolar com mais segurança.
Se o filho demonstrar resistência, a pedagoga sugere o acolhimento do momento com o uso do que a ciência chama de objeto de transição. “A oferta de um amuleto afetivo, como um bilhete carinhoso ou uma foto da família guardada em um bolso específico da mochila, funciona como uma ponte de segurança entre a vivência de casa e o colégio. Isso ajuda o aluno no processo de lidar com o distanciamento temporário de forma saudável.”
Na rotina de volta para casa, a recomendação da especialista é fugir do hábito de perguntar apenas se o dia foi bom, deixando que os próprios exemplos reais da rotina tragam o diálogo de volta. “O direcionamento da conversa para situações concretas do cotidiano escolar abre canais reais de comunicação. Perguntas sobre a história contada em sala de aula, as atividades na biblioteca ou a brincadeira preferida no parquinho estimulam a memória afetiva e transformam a retomada das aulas em um processo natural e leve para toda a família”, finaliza Giulia.
Sobre a Swiss International School
A SIS Swiss International School é uma rede global de ensino bilíngue integrante do prestigiado Grupo Klett. A instituição possui 21 escolas próprias em países como Suíça, Alemanha, Itália, Espanha e operações no Brasil, situadas no Rio de Janeiro e em Brasília.
Em fevereiro de 2027, a rede estreia em solo mineiro com a inauguração da unidade no bairro Belvedere, em Belo Horizonte. Instalada em um complexo de 2.300 m² na Avenida Celso Porfírio Machado, a escola atenderá nesta fase inicial alunos de três a sete anos (do Maternal ao 1º ano do Ensino Fundamental I). A proposta pedagógica alia o currículo nacional a programas internacionais de excelência, com foco no bilinguismo real e na formação global dos estudantes.