Para 60% dos entrevistados, haverá poucas ocupações estáveis no futuro; levantamento ouviu cerca de 10 mil pessoas e empresas em cerca de 140 países

Globalmente, os avanços tecnológicos estão redesenhando o ambiente de trabalho. Avanços na automação, aliados à inteligência artificial e outras inovações, vêm substituindo o ser humano, provocando efeitos relevantes no mercado de trabalho, levantando questões importantes: Quais serão as capacitações em alta no futuro? Como as empresas devem se preparar para atrair e reter talentos em um cenário de médio e longo prazos? Essas são algumas das questões levantadas no estudo Workforce of the Future – the competing forces shaping 2030, da PwC. A pesquisa, realizada com mais de 10 mil profissionais e empresas de diversos setores em quase 140 países, traz uma análise sobre os impactos da tecnologia no dia a dia das organizações, assim como os desafios e oportunidades para as pessoas.

Para 73% dos respondentes, a tecnologia não vai substituir a criação humana. No entanto, 37% deles afirmam estar preocupados com a possibilidade de a automação colocar em risco os empregos.  Além disso, 60% acreditam que poucas pessoas terão ocupações estáveis no futuro.

Atividades baseadas na rotina e na repetição provavelmente passarão a ser realizadas cada vez mais por robôs e outros elementos da automação. Com isso, funções intelectuais exercidas por profissionais com características como liderança, inteligência emocional, criatividade e capacidade de resolver problemas deverão ser mais valorizadas. A possiblidade de perda de postos de trabalho em função dos avanços tecnológicos é mais evidente em países como os Estados Unidos, onde 38% dos empregos atuais estarão em risco, Alemanha (35%), Reino Unido (30%) e Japão (21%).

Outros fatores também deverão influir no ambiente global de trabalho, entre eles o envelhecimento da população, o aumento da urbanização, o desenvolvimento de países emergentes e as mudanças climáticas.  Levando em conta essas tendências e os impactos do desenvolvimento tecnológico, o estudo da PwC analisa quatro cenários, que podem coexistir, com oportunidades e desafios para indivíduos e empresas. “O futuro do mercado de trabalho será resultado de questões complexas, como o impacto de tecnologias disruptivas, a escassez de recursos naturais, mudanças no comportamento dos consumidores e novos modelos de negócios”, diz Roberto Martins, diretor da PwC Brasil.

Cenários de trabalho em 2030

Em um mundo com menos regulamentação e mais espaço para a inovação – o ambiente “vermelho”, segundo o estudo da PwC –, as empresas se voltam cada vez mais para nichos de mercado. As startups têm possiblidade de ganhar escala e conquistar influência em termos globais. As organizações, com cada vez menos empregados, eliminam níveis hierárquicos e criam uma série de políticas para incentivar a inovação. Os gestores de recursos humanos utilizam plataformas digitais e profissionais especializados em localizar e atrair talentos para construir uma força de trabalho competitiva.

No cenário “azul”, grandes corporações realizam fusões para ganhar mercado e se proteger de novos players. A performance dos profissionais é monitorada constantemente, por meio de equipamentos inovadores, para assegurar a produtividade. A pressão por resultados é grande, e os trabalhadores mais talentosos são bem recompensados. Os profissionais se dividem entre aqueles com uma carreira corporativa e aqueles que não têm acesso ao mesmo nível de benefícios e prêmios.

No ambiente “verde”, as mudanças climáticas e a preocupação com o meio ambiente fazem com que conceitos como sustentabilidade e responsabilidade social sejam imperativos de negócios. As empresas constroem sua estratégia com base em seus valores e propósitos, além de investir em diversidade e jornadas de trabalho flexíveis. Os profissionais são orientados a controlar custos e não desperdiçar recursos. Um dos maiores desafios para as organizações é construir e manter relações de confiança com os empregados e todos os stakeholders.

No mundo “amarelo”, profissionais e empresas buscam relevância e significado crescentes em suas atividades em decorrência de uma necessidade maior de distribuição de recursos. Plataformas digitais, como o crowdfunding, são cada vez mais utilizadas na criação de novos negócios. Com isso, empresas de menor porte competem com grandes grupos. A colaboração entre diferentes grupos de funcionários é cada vez maior nas organizações e conta com o apoio de mentores. As companhias, por sua vez, precisam auferir com frequência a ética e transparência de toda a cadeia de fornecedores, sob risco de desagradar os consumidores.

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