O primeiro spalla da Filarmônica de Minas Gerais, hoje spalla da Orquestra Sinfônica de Londres, Roman Simovic, retorna a Belo Horizonte para executar o vibrante Concerto para violino, do armênio Aram Khachaturian, nos dias 17 e 18 de setembro, às 20h30, na Sala Minas Gerais. Sob a regência do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais, viajaremos no tempo ao revisitar a maravilhosa Sinfonia Escocesa, de Mendelssohn, e será apresentada a obra Prisma, especialmente composta para a Filarmônica pelo vencedor do 13º Festival Tinta Fresca, em 2025, Michel Curi Jr., em estreia mundial. Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir de R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).

Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Mantenedor: Cultura e Turismo. Apoio: Amigos da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Funarte e Ministério da Cultura.

Maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais

Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo o responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. 

Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville por quatorze anos (1999 – 2014), tendo recebido o título de Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das orquestras sinfônicas de Syracuse (1992 – 1999) e de Spokane (1993 – 2004), nesta última atuando como Regente Laureado. Em 2014, tornou-se o primeiro maestro brasileiro a assumir a Regência Titular de uma orquestra asiática, ao aceitar o convite da Orquestra Filarmônica da Malásia, onde permaneceu por dois anos.

Ainda nos Estados Unidos, atuou como Regente Associado de Mstislav Rostropovich, na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com a qual se apresentou no Kennedy Center e no Capitólio. Foi também Regente Residente da Orquestra Sinfônica de San Diego. Estreou no Carnegie Hall, em Nova York, conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey, e tem dirigido diversas orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É presença constante nos festivais de verão dos Estados Unidos, como os de Grant Park, em Chicago, e Chautauqua, em Nova York.

Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, Mechetti rege regularmente na Escandinávia, com destaque para a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a Orquestra de Helsingborg, na Suécia. Na Finlândia, dirigiu a Filarmônica de Tampere; na Itália, a Orquestra Sinfônica de Roma e a Orquestra do Ateneo, em Milão; na Dinamarca, a Filarmônica de Odense; na Escócia, a BBC Scottish Symphony; além de ter conduzido a Sinfônica Nacional da Colômbia e estreado no Festival Casals com a Sinfônica de Porto Rico. Na Argentina, rege regularmente a Filarmônica do Teatro Colón.

No Brasil, tem sido convidado a reger a Osesp, a Sinfônica Brasileira, as orquestras municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Sinfônica do Paraná, a Petrobras Sinfônica, entre outras. Trabalhou com artistas de renome, como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Antonio Meneses, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros. 

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School de Nova York.

Roman Simovic, violino

Conquistou o primeiro lugar e mais 12 prêmios do público no 24º Prêmio Rodolfo Lipizer, na Itália, e foi premiado em grandes concursos internacionais, como o Yampolsky, na Rússia, e Henryk Wieniawski, Polônia. Apresentou-se em todos os continentes e em palcos históricos como o Barbican, o Carnegie Hall e o Grande Salão do Conservatório Tchaikovsky. Como solista, colaborou com a Sinfônica de Londres (LSO), a Orquestra do Teatro Mariinsky, e as cameratas Bern e Salzburg, com maestros como Antonio Pappano, Daniel Harding, Sir Simon Rattle e Valery Gergiev. Artista convidado dos festivais de Verbier e Noites Brancas de São Petersburgo, tem sólida atuação como camerista, tendo se apresentado ao lado de Antônio Meneses, Evgeny Kissin, Mischa Maisky e Yuja Wang. Professor visitante de violino na Royal Academy of Music, em Londres, gravou concertos e obras solo pelo selo LSO Live, alémquatro álbuns à frente da Orquestra de Cordas da LSO. Foi o primeiro spalla da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, posição que ocupou entre fevereiro de 2008 e abril de 2009, e desde 2010, é spalla da Sinfônica de Londres. Simovic apresenta-se com um lendário violino Stradivarius de 1709, gentilmente emprestado a ele pelo presidente do Bank of America.

Repertório

Michel Curi Jr. (Belo Horizonte, Brasil 2000) e a obra Prisma (2026)

Vencedor do Festival Tinta Fresca de 2025, com O Purgatório de São Patrício, o mineiro Michel Curi Jr. recebeu como prêmio a encomenda da obra Prisma. Livremente inspirada em Prism (1980), de Jacob Druckman, e sua releitura contemporânea de elementos barrocos e clássicos, a nova composição favorece um tratamento mais livre e intuitivo do material musical. Explorando com engenho os matizes sonoros da orquestra — uma influência do modernismo musicalfrancês —, Prisma se nutre da tradição do canto gregoriano, encontrando nela sua ideia geradora. Um trecho de Constitues eos (Vós os estabeleceis) — Ofertório cantado na missa latina natalícia para São Pedro e São Paulo, celebrada no dia 29 de junho — é repetido e transformado ao longo da peça, dando origem a “um conjunto reduzido de ideias”, que também são desenvolvidas e variadas. Nesse processo, explica o compositor, é “como se o material histórico atravessasse um prisma e adquirisse novas configurações”. Ouvido pela primeira vez, no clarinete, logo após o breve e assertivo gesto de abertura — que alude a um gesto de “Song”, quinta cena coreográfica de Dance Figures (2004), de George Benjamin —, o tema gregoriano se despe de sua roupagem litúrgica para dar vida a episódios contrastantes e transformar, como bem sintetiza o compositor, “unidade em multiplicidade”.

Aram khachaturian (Tbilisi, Geórgia, 1903 – Moscou, Rússia, 1978) e a obra Concerto para violino (1940)

Os concertos para piano (1936), para violino (1940) e para violoncelo (1946) de Khachaturian são o ponto máximo de sua produção. O Concerto para violino foi composto em apenas dois meses e meio, em Moscou, onde foi estreado pela Orquestra Sinfônica Estatal da URSS, sob a regência de Aleksander Gauk, no dia 16 de novembro de 1940. Sobre a ocasião, o solista e dedicatário do concerto, David Oistrakh, comentou: “Nunca me esquecerei das celebrações da recém-inaugurada Sala Tchaikovsky, onde a estreia aconteceu. Prokofiev, Shostakovich e Miaskovski estavam na plateia. Lembro-me perfeitamente bem do dia em que Kachaturian veio à nossa casa de campo […]. Ele estava tão entusiasmado com a sua nova composição que correu imediatamente para o piano. Seu modo intenso de tocá-la fascinou a todos”. O encanto da obra reside nas melodias ricas e no colorido generoso, cuja inspiração foi a música tradicional que esse georgiano de origem armênia ouvia, quando jovem, em sua cidade natal, Tiblíssi — um dos centros mais vibrantes do Império Russo no início do século XX que, devido à sua localização no centro do Cáucaso, entre Turquia, Armênia, Azerbaijão e Rússia, tornou-se uma encruzilhada étnica.

Felix Mendelssohn (Hamburgo, Alemanha, 1809 – Leipzig, Alemanha 1847) e a obra Sinfonia nº 3 em lá menor, op. 56, “Escocesa” (1829-1842. Rev. 1843)

Aos 20 anos de idade, Felix Mendelssohn ganhou de seu pai, um rico banqueiro de Berlim, uma viagem de três anos pela Europa, para que tentasse uma carreira no exterior. Entre 1829 e 1832, visitou o Reino Unido, a Bavária, a Áustria, a Suíça, a Itália e a França. Em Edimburgo, na Escócia, encontrou a inspiração para a sua Terceira Sinfonia, em 30 de julho de 1829: “hoje visitamos o castelo de Holyrood, onde a rainha Maria viveu e amou. A capela ao lado está sem teto e repleta de mato e erva. Foi nesse altar, hoje em ruínas, que foi coroada rainha da Escócia. Acredito ter encontrado, hoje, o início de minha Sinfonia Escocesa”. A composição da obra teve início durante o inverno de 1830 e 1831, em Roma, mas o trabalho foi logo abandonado, pois a atmosfera da peça não condizia com o clima ensolarado da Itália: “não consigo recuperar o cenário enevoado da Escócia”. Apenas 10 anos depois, a composição foi retomada, sendo concluída em Berlim, em janeiro de 1842. A estreia aconteceu em março, em Leipzig, sob a regência do autor, que, em 13 de junho, regeu-a também em um concerto da Sociedade Filarmônica de Londres. O enorme sucesso levou Mendelssohn a dedicar a obra — cujos quatro movimentos devem ser tocados sem interrupção — à rainha Vitória, que tanto admirava sua música.

Filarmônica de Minas Gerais

Série Allegro

17 de setembro – 20h30

Sala Minas Gerais

Série Vivace

18 de setembro – 20h30

Sala Minas Gerais

Fabio Mechetti, regente

Roman Simovic, violino