Especialista orienta sobre sinais de alerta e atitudes que podem ajudar a prevenir o esgotamento profissional 

A saúde mental dos trabalhadores tem ganhado cada vez mais atenção diante do crescimento dos transtornos relacionados ao ambiente profissional. Um levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) indica que cerca de 30% dos profissionais ocupados no Brasil apresentam a síndrome de burnout, estado de esgotamento físico e mental causado pelo estresse crônico no trabalho, dado que situa o país no segundo lugar no ranking mundial. 

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam que os casos exclusivos de burnout saltaram 823% em quatro anos no país, subindo de 823 registros em 2021 para o patamar recorde de quase 7,6 mil em 2025. Ao todo, o órgão contabilizou mais de 546 mil licenças temporárias por transtornos mentais e comportamentais concedidas no último ano. 

Quando o cansaço deixa de ser comum 

O desgaste na rotina de prazos e metas é comum, mas a síndrome de burnout demanda atenção específica. Segundo a psicóloga Karina Siqueira, da Hapvida, o quadro se caracteriza por um mal-estar frequente no ambiente de trabalho, com manifestações físicas e emocionais. “A exaustão constante é um sinal de alerta. Sentir aversão diária ao local de trabalho e passar mal durante o deslocamento indicam a presença do problema”, explica. 

Sinais como desânimo intenso, dores de cabeça, tontura, ansiedade, taquicardia e sudorese exigem avaliação. A especialista destaca que a manifestação dessas reações fora do expediente, provocada por estímulos ligados à rotina profissional, indica o agravamento do quadro. “Se a exaustão e o estresse do trabalho interferem nas atividades diárias e na vida pessoal, há um sinal claro de evolução para o burnout”, afirma Karina. 

Pressão e excesso de demandas 

As condições do ambiente profissional também podem favorecer o esgotamento. Cobranças excessivas por resultados, pressão relacionada ao cumprimento de metas, assédio moral e uma rotina marcada por demandas constantes estão entre os fatores que podem elevar os níveis de ansiedade e estresse.   

Para a psicóloga, reconhecer os próprios limites também faz parte da prevenção. Aprender a dizer não diante de situações que ultrapassem esses limites e buscar alternativas quando o ambiente profissional se torna prejudicial são atitudes que ajudam na preservação da saúde mental. “Identificar até onde podemos ir é indispensável. Saber negar tarefas que excedem a capacidade de entrega e posicionar-se contra situações inadequadas ajuda a conter o avanço do esgotamento”, orienta Karina. 

Trabalho não deve ocupar todos os espaços da vida 

Outro ponto destacado pela especialista é a necessidade de estabelecer uma divisão entre a identidade profissional e a vida pessoal. O trabalho pode ter um papel importante na vida, mas não deve ser a única fonte de satisfação ou realização. 

A especialista explica que direcionar a atenção para outras áreas da vida pode ajudar a lidar com períodos de dificuldade profissional. Segundo ela, quando a pessoa consegue enxergar o momento difícil como uma fase e percebe que está buscando alternativas, a relação com aquela situação pode se tornar mais administrável. 

Escuta também é uma forma de prevenção 

A prevenção do burnout também passa pelas relações dentro das empresas. Para Karina, o trabalhador precisa encontrar espaço para falar sobre insatisfações, angústias e dificuldades sem medo de ser punido ou de ter seus sentimentos desconsiderados. “É muito importante que o trabalhador se sinta seguro para expressar suas percepções e sentimentos para a sua liderança direta”, afirma. 

A especialista explica que, quando uma liderança ignora ou minimiza uma queixa, o profissional pode deixar de procurar ajuda e passar a guardar os problemas para si. Por isso, mesmo quando o gestor não tem autonomia para resolver determinada situação, a escuta pode fazer a diferença. “A escuta atenta transforma a relação do profissional com o trabalho e traz impactos positivos para a própria organização”, destaca Karina. 

A psicóloga também chama atenção para a importância de não diminuir a dimensão de uma queixa apresentada por um funcionário. “Ela pode parecer pequena para o chefe, mas ela foi grande o suficiente para aquela pessoa vir reportar. Então, é importante que tenha esse cuidado com essa pessoa na hora da escuta e no retorno que ela irá receber”, conclui. 

Sobre a Hapvida  

Com mais de 80 anos de experiência, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina. A companhia possui mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.  

Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado completo, com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, incluindo 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico e coleta laboratorial além de espaços especificamente voltados ao cuidado preventivo e crônico.  

Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.