Com índices que chegaram a 20% na cidade, Defesa Civil mantém alerta: médico orienta como reduzir os impactos do tempo seco na saúde
A combinação de calor intenso e tempo seco tem colocado Belo Horizonte sob frequentes alertas da Defesa Civil. Nos últimos dias, os termômetros na capital mineira ultrapassaram os 34 °C, enquanto a umidade relativa do ar despencou para marcas críticas em torno de 20% nas horas mais quentes da tarde, índice muito abaixo dos 60% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nessas condições de clima seco e alta amplitude térmica, os cuidados preventivos ganham atenção redobrada.
De acordo com Marcello Nannetti, clínico geral da Hapvida, a baixa umidade pode causar ressecamento da pele, olhos, nariz e garganta, além de aumentar o desconforto respiratório. Os efeitos tendem a ser mais frequentes quando os índices ficam abaixo de 30%, principalmente em períodos de calor e na presença de poluição ou fumaça no ambiente.
“Os sintomas mais comuns nesse período são garganta e boca secas, nariz irritado ou congestionado, espirros, tosse, rouquidão, ardência nos olhos e pele ressecada. Quem possui doenças respiratórias pode apresentar tosse mais agravante, falta de ar ou outros sinais relacionados à doença”, explica o médico.
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou outras condições de saúde podem ser mais sensíveis aos efeitos da baixa umidade. “Por isso, é importante manter uma boa hidratação, evitar exposição prolongada ao calor e ao ar muito seco e manter os tratamentos habituais quando houver alguma doença crônica”, recomenda.
Cuidados no dia a dia
Para reduzir os efeitos da baixa umidade no organismo, Nannetti ensina alguns cuidados que podem ser adotados no dia a dia.
“Beber bastante água durante o dia, evitar atividades físicas nos horários de maior calor e usar hidratante para a pele são medidas simples. O soro fisiológico pode ajudar no ressecamento nasal, assim como colírios lubrificantes podem ser úteis para o ressecamento ocular, especialmente em pacientes que utilizam lentes de contato. Também é importante evitar fumaça, poeira e ambientes muito secos. Se utilizar umidificador, é necessário mantê-lo bem higienizado para evitar mofo e proliferação de microrganismos”, orienta.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais, no entanto, indicam que o desconforto provocado pelo período seco merece avaliação médica. Segundo o clínico geral da Hapvida, a piora significativa dos sintomas respiratórios, febre persistente ou dificuldade para ingerir líquidos estão entre eles. Já quadros mais graves demandam atenção imediata. “Em situações de falta de ar intensa, dor no peito, desmaio ou alteração importante do estado de consciência, deve-se procurar atendimento de urgência”, alerta Nannetti.
Em casos de sintomas leves a teleconsulta pode ser uma alternativa para a avaliação inicial. O atendimento remoto permite que o médico oriente o tratamento, indique medicamentos quando necessário e avalie se há necessidade de atendimento presencial. Isso evita deslocamentos desnecessários e reduz o risco de exposição a outros vírus. Se os sintomas persistirem ou se agravarem, a recomendação é buscar o atendimento presencial.