Dificuldade para coordenar sucção e respiração atinge bebês prematuros; fonoaudióloga do Hospital Octaviano Neves explica como a amamentação funciona como imunizante natural 

Para muitos bebês, a primeira mamada acontece pouco depois do nascimento. Para os prematuros internados em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal, porém, esse processo exige mais tempo e demanda um protocolo específico de cuidados. A imaturidade do organismo e a necessidade de suporte médico fazem com que o leite humano atue não apenas como alimento, mas como uma terapia imunológica essencial na prevenção de infecções e na recuperação do recém-nascido. 

A pauta ganha ainda mais destaque durante o Agosto Dourado, mês de incentivo ao aleitamento materno. Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 48% dos recém-nascidos no mundo mamam na primeira hora de vida. Na América Latina, 43% dos bebês de zero a cinco meses vivem exclusivamente da amamentação, conforme a recomendação médica. Entre os prematuros, o início desse processo exige acompanhamento especializado e avança em diferentes etapas. 

Diferentemente do bebê que nasceu no tempo certo, o prematuro enfrenta limitações físicas para mamar. A incoordenação motora para sugar, engolir e respirar ao mesmo tempo pode causar cansaço extremo ou risco de broncoaspiração. Além disso, o baixo tônus muscular leva o bebê à fadiga rápida antes da ingestão do volume necessário, enquanto a imaturidade do sistema gastrointestinal exige uma oferta gradual de leite. Quando o recém-nascido necessita de suporte respiratório ou incubadora, ocorre o adiamento do contato pele a pele, com indicação de ordenha materna para a manutenção da produção do leite. 

“A amamentação vai trazer benefícios para o bebê tanto no sentido do crescimento, que ele precisa, quanto do ponto de vista da proteção contra infecções. O bebê prematuro está em um ambiente mais vulnerável e o leite humano oferece essa proteção”, explica Mônica Almeida, fonoaudióloga do Hospital Octaviano Neves, da rede Hapvida. 

Proteção imunológica 

Além dos benefícios para o bebê, a oferta do leite ajuda a mãe a participar dos cuidados durante a internação. A ordenha permite que a mãe forneça o próprio leite e participe do cuidado. “Quando ela ordenha o leite para ofertar ao bebê que está internado, ela se sente mais incluída no cuidado. Ela tem essa sensação de pertencimento, porque muitas vezes a mãe se sente um pouco longe desse cuidado”, afirma a especialista. 

Quando o recém-nascido ainda não apresenta condições de mamar diretamente no seio, a UTI Neonatal utiliza a colostroterapia. A prática é aplicada em bebês prematuros e de muito baixo peso, que recebem pequenas gotas de colostro (o primeiro leite produzido pela mãe) nas primeiras horas ou dias de vida para a proteção do organismo e desenvolvimento inicial. 

À medida que o recém-nascido evolui clinicamente, a fonoaudiologia atua na transição para o seio, com a avaliação da capacidade do bebê em coordenar as funções vitais de alimentação. “Para nós parece simples, mas para o bebê são movimentos complexos. O fonoaudiólogo é o profissional capacitado para avaliar essas funções e auxiliar quando existe alguma alteração nessa coordenação”, aponta a especialista 

Acompanhamento e transição para o seio 

Inicialmente, a alimentação do prematuro ocorre por sonda, enquanto a mãe recebe orientação para a realização da ordenha. Durante a transição para o seio, se o recém-nascido precisar de complementação, seja pela fadiga do bebê ou pela fase de adequação da produção materna, a equipe escolhe individualmente o método sem interferência no padrão de sucção, como o copinho, a colher ou a relactação por sonda junto ao seio. 

“Cada bebê tem suas particularidades e cada mãe também. Existem várias formas de complementar e cada situação deve ser avaliada individualmente para que seja feito da melhor forma possível, tanto para o filho quanto para a mãe”, destaca Mônica Almeida. 

A amamentação na UTI Neonatal envolve uma equipe multiprofissional integrada. A pediatria avalia a estabilidade clínica; a fisioterapia acompanha as condições respiratórias; a enfermagem orienta a ordenha e incentiva o método canguru; e a nutrição monitora a oferta calórica e a necessidade de complementação. 

Sala de acolhimento e árvore da vida 

Além da assistência clínica, o suporte emocional à família faz parte do protocolo de internação. O Hospital Octaviano Neves dispõe de uma sala de amamentação climatizada e disponível 24 horas para a garantia de privacidade no momento da ordenha e da mamada, com poltronas e suporte técnico. 

A sala de amamentação é um espaço de acolhida, orientação e informação, mas também de escuta. “É um ambiente que temos para ouvir essa mãe, entender quais dificuldades ela está tendo e acolher essa mãe e essa família”, conta a fonoaudióloga. 

A unidade também mantém a Árvore Dourada da Vida, um painel onde as mães deixam mensagens e relatos sobre a experiência do aleitamento. A iniciativa promove a troca de apoio orientado entre mulheres em jornadas semelhantes. 

A iniciativa permite que mulheres compartilhem experiências e ofereçam apoio umas às outras. Como os bebês internados apresentam diferentes condições clínicas, o contato entre as mães acontece de maneira orientada e respeitando as particularidades de cada família. 

Para a fonoaudióloga, essa troca tem um significado diferente do aconselhamento oferecido pelos profissionais, justamente por partir de mulheres que vivenciam uma experiência semelhante. “Iniciativas como a Árvore da Vida são importantes porque são feitas de mães para mães. Quando elas têm esse encontro entre pares, uma incentiva a outra, conta o que funcionou e o que não funcionou. Elas se sentem mais acolhidas e conseguem dividir também as próprias angústias”, finaliza a especialista. 

Sobre a Hapvida   

Com mais de 80 anos de experiência, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia, que possui mais de 77 mil colaboradores, atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.   

Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado de ponta a ponta, a partir de 85 hospitais, 74 prontos atendimentos, 364 clínicas médicas e 309 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades especificamente voltadas ao cuidado preventivo e crônico. Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.