Estudos apontam a ampla circulação do vírus na população brasileira e o risco de complicações em momentos de baixa resistência física; médica especialista orienta sobre sintomas e prevenção
Patógeno altamente comum na população brasileira, o citomegalovírus (CMV), da família do herpes vírus, costuma ser inofensivo, mas pode provocar complicações graves em pessoas com a imunidade comprometida. Pesquisa publicada em 2025 no The Brazilian Journal of Infectious Diseases mostra que 88,5% dos adultos analisados no país possuem anticorpos associados à condição.
A transmissão do citomegalovírus ocorre por meio da amamentação, do contato com saliva, urina e outros fluidos corporais, além da gestação. Em pessoas com a imunidade preservada, o vírus costuma agir de forma assintomática ou provocar manifestações leves. No entanto, em pacientes imunossuprimidos, gestantes e recém-nascidos, a infecção pode evoluir para quadros severos no trato gastrointestinal e em outras estruturas do corpo.
A gastroenterologista e nutróloga da Hapvida, Ingrid Marinho Marotta, explica que o diagnóstico exige atenção redobrada aos sinais do corpo. “Em pessoas saudáveis, o próprio organismo controla o vírus. Já nos grupos de risco, a infecção demanda cuidado imediato para evitar complicações sérias”, afirma a médica.
Sinais de alerta e diagnóstico
Segundo a médica, muitas vezes, a infecção passa despercebida. “Quando aparecem, os sinais mais comuns são febre prolongada, fadiga intensa, aumento dos linfócitos no sangue e uma hepatite autolimitada. Em pessoas com imunidade comprometida, porém, o vírus pode provocar manifestações gastrointestinais, como esofagite, gastrite, colite, diarreia persistente e até sangramento nas fezes.”
O diagnóstico nem sempre é imediato porque os sintomas se assemelham aos de outras doenças. “O processo pode exigir sorologia, testes de PCR, exames laboratoriais, endoscopia e colonoscopia. Pacientes do grupo de risco necessitam de intervenção rápida com antivirais, sempre prescritos por profissionais especializados, e assistência multidisciplinar”, orienta a especialista.
A importância do diagnóstico correto
A ação do citomegalovírus em um organismo fragilizado faz parte do histórico do operador de máquinas Adriano Marques Alves, de 36 anos, morador de Sete Lagoas (MG). O paciente enfrentou um quadro grave da doença.
Os primeiros sinais foram perda de apetite, rouquidão, dores no estômago e diarreia persistente. Acreditando que os sintomas estivessem relacionados à alimentação, fez mudanças na dieta, mas nada adiantou. Com o passar dos meses, o quadro se agravou. O operador de máquinas passou de 94 quilos para 38 quilos, perdeu temporariamente a voz, a visão do olho esquerdo e enfrentou falhas de memória.
No caso do Adriano, ele já havia passado por outros atendimentos sem respostas conclusivas na sua cidade natal antes de chegar ao diagnóstico correto. Inicialmente, havia a suspeita de outras doenças, mas, somente após uma investigação mais detalhada no Hospital Vera Cruz, da Hapvida, em Belo Horizonte, foi possível identificar o citomegalovírus e iniciar o tratamento adequado.
Atendimento humanizado e reabilitação
Ao chegar ao Hospital Vera Cruz, Adriano estava bastante debilitado. Além do tratamento medicamentoso, recebeu acompanhamento de uma equipe multiprofissional, com fisioterapia, suporte nutricional e assistência durante toda a internação.
Segundo a médica responsável, a recuperação aconteceu por uma combinação de fatores. “A idade do paciente favoreceu a reabilitação. A vontade que tinha de melhorar também fez diferença. Somado a isso, houve todo um trabalho da equipe para que ele recuperasse a alimentação, a força muscular e a qualidade de vida”, elucida Marinho Marotta.
Após quatro meses de tratamento, com um mês de internação no Hospital Vera Cruz, Adriano recuperou a visão, a voz e a autonomia das atividades diárias. Ele guarda com carinho o apoio que recebeu. “A equipe me incentivou todos os dias, principalmente a fisioterapeuta na hora de me colocar de pé novamente. Um dos momentos mais marcantes foi quando a nutricionista descobriu meu desejo de comer um cachorro-quente e fez questão de providenciar. Esse tipo de carinho faz toda a diferença para quem está no hospital. Eu não conhecia o citomegalovírus até passar por isso. O empenho da equipe de saúde foi fundamental para a minha cura.”
Alerta para os sinais do corpo
Hoje completamente recuperado, Adriano afirma que a experiência transformou sua maneira de cuidar da própria saúde. “A gente se preocupa muito com o trabalho e com a família e acaba se esquecendo de si. Hoje, qualquer sintoma diferente eu procuro investigar. Se eu tivesse prestado mais atenção aos primeiros sinais, talvez tivesse sofrido menos. A vida é uma só. Precisamos cuidar da nossa saúde para poder viver e aproveitar quem amamos.”
A médica orienta que o citomegalovírus merece investigação, sobretudo quando houver indicação clínica. “É um vírus muito comum e grande parte da população terá contato com ele ao longo da vida. O importante é procurar atendimento quando os sintomas persistirem ou se agravarem, principalmente entre os grupos mais vulneráveis. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado e reduzir o risco de complicações”, explica a especialista.
Sobre a Hapvida
Com mais de 80 anos de experiência, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia, que possui mais de 75 mil colaboradores, atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado de ponta a ponta, a partir de 84 hospitais, 75 prontos atendimentos, 367 clínicas médicas e 313 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades especificamente voltadas ao cuidado preventivo e crônico. Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.