Diabetes cresce 135% no Brasil em 18 anos e já afeta 12,9% de adultos. País figura na sexta posição do ranking mundial. Cerca de 32% não sabem que têm a condição

O diabetes mellitus é uma doença metabólica crônica caracterizada pela produção insuficiente ou pela má absorção da insulina, o hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue. Diante do avanço do diagnóstico no país, o debate para a prevenção ganha força com a chegada do Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho. A data busca conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

Segundo dados do Vigitel 2025, o número de adultos brasileiros com diabetes saltou 135% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9% da população. O cenário acompanha uma preocupante tendência mundial: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o total de pessoas de todas as faixas etárias vivendo com a doença passou de 200 milhões em 1990 para 830 milhões em 2022.

Atualmente, uma em cada nove pessoas entre 20 e 79 anos convive com o diabetes no mundo, o que representa 589 milhões de adultos. Esse número difere da estimativa global da OMS ( 830 milhões) por considerar apenas a população adulta. Já no Brasil, são quase 17 milhões de pessoas convivendo com algum tipo da condição (tipo 1 ou tipo 2), colocando o país na sexta posição do ranking mundial, conforme o Atlas Global de Diabetes 2025 da Federação Internacional do Diabetes (IDF). Desse total, 32% desconhecem que têm a doença, o que retarda o início do tratamento e eleva o risco de complicações graves.

Para o endocrinologista da Hapvida, Rodrigo Magalhães, o crescimento dos casos está ligado principalmente às mudanças no estilo de vida da população. “Grande parte desse aumento está relacionada ao sedentarismo, ao excesso de peso e aos hábitos alimentares inadequados. O diabetes tipo 2, que representa a maioria dos casos, tem forte relação com esses fatores”, afirma.

Diferentes tipos de diabetes

Segundo o especialista, a doença pode se manifestar de formas diferentes. “O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Ele ocorre principalmente em crianças e adolescentes e, atualmente, exige o uso diário da insulina”, explica.

Já o diabetes tipo 2 ocorre quando a produção de insulina é insuficiente ou quando o organismo desenvolve resistência à sua ação.  “Esse tipo está associado à obesidade, ao sedentarismo, à alimentação rica em carboidratos e também a fatores genéticos”, destaca o médico.

Há ainda a diabetes gestacional, que surge durante a gravidez devido às alterações hormonais próprias desse período. “Na maioria das vezes, o quadro desaparece após o parto, mas aumenta a chance de a mulher desenvolver diabetes tipo 2 futuramente”, diz.

Sinais merecem atenção

Embora possa permanecer sem sintomas por um longo período, alguns sinais podem indicar alterações nos níveis de glicose. Entre os principais estão sede excessiva, fome intensa, aumento da frequência urinária, visão embaçada, perda de peso sem explicação, formigamento nas mãos e nos pés e manchas escuras em regiões como pescoço, axilas e virilhas.

“O diabetes costuma ser silencioso no início. Por isso, exames de rotina são importantes para identificar a doença antes do surgimento das complicações”, orienta o endocrinologista.

Acompanhamento contínuo ajuda no controle da doença

Desde 2017, a Hapvida mantém o Programa Diabetes, uma iniciativa do Qualivida, área responsável pela gestão dos programas de cuidado aos pacientes crônicos. O projeto oferece acompanhamento multidisciplinar para pacientes maiores de 18 anos diagnosticados com diabetes tipo 2.  Atualmente, a iniciativa acompanha 48.097 pacientes em todo o Brasil, sendo 345 em Minas Gerais.

O programa é direcionado a beneficiários classificados em perfis de médio e alto risco clínico, que recebem monitoramento especializado para controle da doença. Segundo Najara Dorta, gestora do programa, os pacientes elegíveis recebem contato ativo da operadora para ingresso no tratamento. “O beneficiário é convidado para um cuidado especializado realizado por profissionais capacitados e com suporte de uma equipe interdisciplinar”, afirma.

O atendimento vai além das consultas tradicionais. Os participantes contam com médicos especialistas, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos, além de suporte telefônico, grupos de apoio e palestras interativas.

Outro diferencial está na atuação das enfermeiras navegadoras. “Elas entram em contato sempre que o paciente passa pelo pronto-socorro ou é internado, realizando acolhimento e direcionamento dos cuidados necessários”, explica.

De acordo com a gestora, o objetivo do programa é contribuir para o controle da hemoglobina glicada e reduzir internações e atendimentos de urgência relacionados ao diabetes.

Diagnóstico precoce evita complicações

Quando não é identificado e tratado adequadamente, o diabetes pode causar danos progressivos aos nervos e aos vasos sanguíneos. “O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes que ocorram lesões mais graves. Quanto mais cedo houver controle da glicemia, menores são os riscos para a saúde”, afirma o Rodrigo Magalhães.

Segundo a OMS, o diabetes está entre as principais causas de cegueira, insuficiência renal, infarto, acidente vascular cerebral e amputações de membros inferiores.

Alimentação e atividade física fazem diferença

A prevenção do diabetes tipo 2 está diretamente relacionada aos hábitos de vida. “O controle da alimentação, com menor consumo de doces, bolos, pães e outros alimentos ricos em carboidratos, aliado à prática regular de atividade física e a um sono de qualidade, ajuda a reduzir o risco da doença”, explica o médico.

A OMS também recomenda a manutenção do peso adequado e a interrupção do uso de tabaco como medidas para reduzir os riscos.

Novas opções de tratamento

Os avanços da medicina têm ampliado as possibilidades de controle da doença. Atualmente, existem medicamentos orais e injetáveis que ajudam a manter os níveis de glicose dentro da faixa adequada.

“Hoje contamos com medicamentos mais modernos, como os análogos do GLP-1 para o diabetes tipo 2, além das novas insulinas de aplicação semanal, que podem beneficiar pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2”, afirma o especialista.

De acordo com a OMS, mais da metade das pessoas com diabetes não utilizava medicação para o controle da doença em 2022. O acompanhamento médico regular e a adesão ao tratamento são fatores importantes para evitar o avanço da condição e reduzir o risco de complicações.