Levantamento destaca o avanço de eletrificados, impacto de programas governamentais e a força do setor de seminovos e usados
A Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF) divulgou sua mais recente Análise Macroeconômica da Economia Brasileira referente a maio de 2026. O relatório aponta que, apesar de um cenário macroeconômico de crescimento tímido, inflação controlada e mercado de trabalho estável, o setor automotivo mantém um desempenho positivo. O avanço é impulsionado pela expansão de veículos eletrificados, crescimento de marcas chinesas e a consolidação do mercado de seminovos e usados.
Cenário Macroeconômico e Desafios do Crédito
O ambiente de negócios no Brasil ainda enfrenta barreiras estruturais importantes, como juros altos, custo elevado do crédito, endividamento público e incertezas fiscais, além de eventos de porte como a Copa Mundial de Futebol e Eleições em vários níveis. No ambiente externo, conflitos geopolíticos e volatilidade financeira trazem desafios adicionais.
Refletindo esse panorama, os índices de inadimplência voltaram a subir fortemente em 2026, mesmo após iniciativas e programas de renegociação. No crédito para pessoas físicas, a taxa de inadimplência atingiu 5,4% em abril de 2026, representando uma alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 1,3 p.p. nos últimos doze meses.
Impacto dos Programas Governamentais
O relatório avalia o estágio das principais medidas federais de estímulo ao setor lançadas ou ampliadas recentemente:
- Move Brasil – Táxi e Aplicativos: Lançado oficialmente em maio de 2026, o programa já está operacional e prevê até R$ 30 bilhões em crédito para a renovação da frota de taxistas e motoristas de aplicativo. Os impactos reais na economia devem ser medidos nos próximos meses, após a maturação da regulamentação.
- Move Brasil – Caminhões e Ônibus: Ampliado entre abril e maio de 2026, o programa passou a incluir ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.
- Novo Desenrola Brasil: Relançado em maio de 2026 em versão ampliada pelo Governo Federal para mitigar os efeitos do endividamento.
Mercado de Veículos Zero Quilômetro (0km)
O segmento de novos registrou crescimento moderado e concentrado. Em maio de 2026, o volume nominal de vendas cresceu +2,7% em comparação a abril, variação justificada por dois dias úteis a mais no calendário. Na média diária por dia útil, houve recuo de -7,6%, puxado por pesados e motocicletas.
Contudo, os comparativos de longo prazo confirmam o aquecimento do setor:
- Comparativo Anual: Alta de +12,3% em volume nominal e de +17,9% na média por dia útil em relação a maio de 2025.
- Acumulado do Ano: Crescimento sólido de +15,4% em volume nominal e +17,7% na média diária útil.
- Alerta Regional: As regiões Sul (-1,7%), Nordeste (-1,5%) e Norte (-2,0%) registraram retração na comparação entre maio e abril de 2026.
Líderes de Emplacamentos em maio/2026:
- Autos: BYD Dolphin (11.516 unidades)
- Comerciais Leves: Fiat Strada (15.392 unidades)
- Pesados: M. Benz Atego (1.088 unidades, alta de +0,9% ante abril)
- Motos: Honda CG 150 (43.201 unidades, queda de -3,5% ante abril)
Seminovos e Usados Ganham Força
O mercado de veículos usados continua aquecido, consolidando-se como uma alternativa acessível para o consumidor. No acumulado do ano, o segmento apresenta expansão de +8,4% em volume nominal, e +10,6% na média por dia útil.
Em maio, o avanço nominal foi de +3,6% frente a abril (embora com queda de -6,8% na média diária por dias úteis). A Região Sudeste foi o destaque positivo do mês, com crescimento de +5,1%.
Modelos Mais Negociados em maio/2026:
- Autos: VW Gol (63.317 trocas) e GM Onix (39.838 trocas)
- Comerciais Leves: Fiat Strada (38.826 trocas) e VW Saveiro (22.806 trocas)
- Pesados: Volvo FH (2.824 trocas) e Ford Cargo (2.430 trocas)
- Motos: Honda CG 150 (83.373 trocas)
Perspectivas
Segundo o presidente da ANEF, Enilson Sales, “a expectativa para os próximos meses é de uma economia com ritmo de crescimento mais lento, porém mais estável. A sustentabilidade dessa trajetória positiva do setor automotivo dependerá diretamente do controle fiscal do país e da viabilização de uma trajetória de redução das taxas de juros”.