Campanha chama atenção para sintomas muitas vezes ignorados e destaca a importância do diagnóstico precoce

Milhões de mulheres convivem com dores intensas durante o período menstrual, que muitas vezes passam despercebidas, mas podem indicar endometriose, uma doença inflamatória associada à dor pélvica. Durante o Março Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre a enfermidade, médicos reforçam a importância de identificar sinais e sintomas que exigem avaliação clínica.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 190 milhões de mulheres no mundo convivem com a endometriose. No Brasil, a doença pode afetar mais de 7 milhões de mulheres, muitas delas sem diagnóstico ou tratamento adequado.

A doença é uma das principais causas de dor pélvica crônica e infertilidade feminina, impactando diretamente a qualidade de vida das pacientes. Mesmo assim, especialistas alertam que o diagnóstico ainda costuma demorar anos para acontecer, em parte porque os sintomas são diversos e muitas vezes confundidos com desconfortos menstruais comuns.

Durante o Março Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre a doença, médicos reforçam a importância de reconhecer os sinais e sintomas e procurar avaliação.

O que é a endometriose?

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste a camada interna do útero, cresce fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas e outras estruturas. Esse crescimento provoca inflamação local e um processo cicatricial que pode causar dor.

“Muitas mulheres acreditam que sentir cólicas intensas durante o período menstrual é algo normal. No entanto, quando essa dor interfere na rotina ou limita atividades do dia a dia, é essencial procurar avaliação médica para investigar a causa”, explica a ginecologista Jéssica Souza, da Hapvida.

Sintomas que não devem ser ignorados

Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, alterações intestinais e/ou urinárias durante o período menstrual e dor durante a relação sexual. Em alguns casos, a doença também pode estar causar dificuldade para engravidar.

Em situações mais raras, a endometriose pode evoluir de forma silenciosa, o que contribui para o diagnóstico tardio.

“Um dos grandes desafios da endometriose é que o diagnóstico pode levar anos para acontecer porque os sintomas muitas vezes são confundidos com desconfortos menstruais comuns e não são valorizados. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e garantir qualidade de vida para as pacientes”, afirma a médica.

Impactos na fertilidade

A endometriose também pode afetar a fertilidade feminina. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), estima-se que entre 30% e 50% das mulheres com a doença podem apresentar dificuldade para engravidar.

“Nem toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar. Cada caso precisa ser avaliado individualmente”, explica a médica.

Tratamento e qualidade de vida

O tratamento varia de acordo com cada paciente e pode incluir o uso de medicamentos, como contraceptivos, e, em alguns casos, cirurgia.

“Cada paciente precisa de uma avaliação individual e personalizada. O mais importante é que a mulher não normalize a dor e procure atendimento médico ao perceber que algo não está bem”, conclui a médica.